PACIENTES COM TRANSTORNO DE PERSONALIDADE INSTÁVEL (como se comportar quando a terapeuta atende alguém com este transtorno)
Aqui
as coisas têm que ser levadas da maneira mais suave possível,embora tenham que
ser seriamente consideradas e averiguadas em suas possibilidades reais.
Uma
das coisas que se pode fazer é usar a técnica de irreverência com a paciente.
Dizer com veracidade, algo corriqueiro,mas tem que ser muito seriamente dito,e
qualquer deslize,contando uma mentira, mudando tom de voz, será notado e
julgado.
Não tente enganar uma paciente borderline, elas lêem nas entrelinhas,
as filigranas não ditas e mesmo as ditas, são percebidas e processada em uma
maneira própria, e você tem que se lembrar que não faz parte do universo
particular delas.
Você está tentando ajudar, ser solidário, validar
sentimentos,mas jamais vai conseguir entender e pensar como uma paciente
borderline.
Só o
tempo pode ajudar quem se dispóe a atender essas pessoas fascinantes,com um
mundo riquíssimo interior,porém difícil de ser acessado, mas uma vez que se
consiga, você terá a mais doce criatura colaborando com você no processo
terapêutico.
Seja
sincero sempre, se não souber alguma coisa, diga.
Pesquise.
Nunca diga o que
não sabe, porque sua paciente vai perceber e o tratamento estará fadado ao
fracasso.
Entre
nesse mundo de paixões e de pessoas tão fascinantes. Não seja daqueles que, por
inabilidade, ou incapacidade,fala: Odeio borderline.
Fica
feio para quem estudou para ajudar o próximo. As pacientes querem ser ajudadas,
mas querem alguém que adentre seu mundo com delicadeza,carinho,dedicação.
Querem ter certeza que você se importa de verdade.
Na verdade, gostariam de ser a paciente mais importante de sua terapeuta,psiquiatra,enfim,não importa onde se consultem,se por ventura sentirem que estão sendo desafiadas,desvalorizadas,invalidadas, ou que duvidam da veracidade do que sentem ou passam em suas vidas, as chances seráo de perder uma paciente e provavelmente,ganhar uma inimiga.
Não duvide do potencial destrutivo dessas pacientes difíceis. Não fazem por mal,mas se tiverem determinados pontos tocados,como invalidação,serem tratadas como crianças,uso de linguagem que as faça sentirem-se diminuída ou comparadas com outra pessoa, ficará muito difícil a adesão ao tratamento,e a sequencia.
Aqui,vale a máxima ´´Pisar em ovos´´. Realmente,todo cuidado é pouco com as palavras que se usa quando se trata uma dessas pacientes.
Já presenciei caso de uma paciente que se cortou no próprio ambulatório,porque sua terapeuta não pode atende-la num determinado dia. Estava sentada a seu lado.
E ela se cortou porque sentiu-se ignorada. Resultado: Diversos pontos para fechar o ferimento feito com lâmina.
Então,todo cuidado é pouco,realmente essas pessoas são dotadas de uma intuição e sabem quando sua terapeuta não esta falando a verdade. Isso é fato. Por serem extremamente sensíveis,possuem uma maior capacidade de perceber coisas que passam desapercebidas para a maioria absoluta dos seres.
O
sucesso nesses atendimentos só poderá vir se for feito com pureza de alma.
Essas pacientes necessitam de psicólogas que tenham um perfil bastante afetivo. De verdade.
Fingir ser receptiva, e mostrar uma afetividade que não é sua,serão notadas,e existem muitos profissionais que gostam de atender essas pacientes, pelo desafio que representam e pela complexidade de suas personalidades.
O sucesso é possível,mas talvez nem todos profissionais da área de saúde mental tenham o perfil para ajudar uma paciente com instabilidade emocional.
Psicóloga Mônica R. Garcia
CRP-06/127144

