sábado, 5 de dezembro de 2015

PACIENTES COM TRANSTORNO DE PERSONALIDADE INSTÁVEL (como se comportar quando a terapeuta atende alguém com este transtorno)




PACIENTES COM TRANSTORNO DE PERSONALIDADE INSTÁVEL (como se comportar quando a terapeuta atende alguém com este transtorno)



Aqui as coisas têm que ser levadas da maneira mais suave possível,embora tenham que ser seriamente consideradas e averiguadas em suas possibilidades reais.

Uma das coisas que se pode fazer é usar a técnica de irreverência com a paciente. 

Dizer com veracidade, algo corriqueiro,mas tem que ser muito seriamente dito,e qualquer deslize,contando uma mentira, mudando tom de voz, será notado e julgado. 

Não tente enganar uma paciente borderline, elas lêem nas entrelinhas, as filigranas não ditas e mesmo as ditas, são percebidas e processada em uma maneira própria, e você tem que se lembrar que não faz parte do universo particular delas. 

Você está tentando ajudar, ser solidário, validar sentimentos,mas jamais vai conseguir entender e pensar como uma paciente borderline.


Só o tempo pode ajudar quem se dispóe a atender essas pessoas fascinantes,com um mundo riquíssimo interior,porém difícil de ser acessado, mas uma vez que se consiga, você terá a mais doce criatura colaborando com você no processo terapêutico.


Seja sincero sempre, se não souber alguma coisa, diga. 
Pesquise. 
Nunca diga o que não sabe, porque sua paciente vai perceber e o tratamento estará fadado ao fracasso.


Entre nesse mundo de paixões e de pessoas tão fascinantes. Não seja daqueles que, por inabilidade, ou incapacidade,fala: Odeio borderline.


Fica feio para quem estudou para ajudar o próximo. As pacientes querem ser ajudadas, mas querem alguém que adentre seu mundo com delicadeza,carinho,dedicação. Querem ter certeza que você se importa de verdade. 
Na verdade, gostariam de ser a paciente mais importante de sua terapeuta,psiquiatra,enfim,não importa onde se consultem,se por ventura sentirem que estão sendo desafiadas,desvalorizadas,invalidadas, ou que duvidam da veracidade do que sentem ou passam em suas vidas, as chances seráo de perder uma paciente e provavelmente,ganhar uma inimiga.

Não duvide do potencial destrutivo dessas pacientes difíceis. Não fazem por mal,mas se tiverem determinados pontos tocados,como invalidação,serem tratadas como crianças,uso de linguagem que as faça sentirem-se diminuída ou comparadas com outra pessoa, ficará muito difícil a adesão ao tratamento,e a sequencia.

Aqui,vale a máxima ´´Pisar em ovos´´. Realmente,todo cuidado é pouco com as palavras que se usa quando se trata uma dessas pacientes.

Já presenciei caso de uma paciente que se cortou no próprio ambulatório,porque sua terapeuta não pode atende-la num determinado dia. Estava sentada a seu lado. 

E ela se cortou porque sentiu-se ignorada. Resultado: Diversos pontos para fechar o ferimento feito com lâmina.

Então,todo cuidado é pouco,realmente essas pessoas são dotadas de uma intuição e sabem quando sua terapeuta não esta falando a verdade. Isso é fato. Por serem extremamente sensíveis,possuem uma maior capacidade de perceber coisas que passam desapercebidas para a maioria absoluta dos seres.


O sucesso nesses atendimentos só poderá vir se for feito com pureza de alma.

Essas pacientes necessitam de psicólogas que tenham um perfil bastante afetivo. De verdade.
Fingir ser receptiva, e mostrar uma afetividade que não é sua,serão notadas,e existem muitos profissionais que gostam de atender essas pacientes, pelo desafio que representam e pela complexidade de suas personalidades.

O sucesso é possível,mas talvez nem todos profissionais da área de saúde mental tenham o perfil para ajudar uma paciente com instabilidade emocional.

Psicóloga Mônica R. Garcia
CRP-06/127144

sábado, 14 de novembro de 2015

Criar um Kit Serenidade


Caixinha para acalmar na hora das crises.....


EEeE

Em periodos de desregulacao emocional ( quase todos os dias acontecem crises,que podem durar segundos,minutos,horas), ter uma caixa onde se guarda objetos, ou qualquer coisa que te acalme.

Juntar objetos e guardá-los em um único lugar fará com que você use melhor
as habilidades que desenvolver para lidar com a crise,em vez de simplesmente
ceder à ela e deixar que os antigos modos negativos de lidar com as situações
tomem conta de você.

Pacientes Borderline e auto-estima : A busca pelo ''buraco da rosquinha

 

 

Pacientes Borderline e auto-estima : A busca pelo ''buraco da rosquinha

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Perfeccionismo é uma das características que fazem sofrer as pacientes que têm Transtorno Borderline.

 Altas expectativas,muitas vezes inatingíveis,pois elas querem ser melhores que 100%,podem se tornar um gatilho para depressão e crises de invalidação. 

Muito difícil lidar com esse nível de exigência,não importa que o mercado hoje em dia queira pessoas muito bem preparadas,quem sofre de TPB sempre quer ser 110% ou até mais.

Isto é um dos itens a serem trabalhados com sinceridade com um bom terapeuta,pois quem não entende o padrão de uma paciente borderline, se perderá no meio do caminho.

Validar que ter altíssimas expectativas é um traço da personalidade borderline e que o sofrimento é intenso. O terapeuta tem que ler a paciente, ou aprender a fazê-lo.

Nas redes sociais,para termos um exemplo bastante atual,é muito alto o número de queixas de pacientes que acham que não têm suas fotos ´´curtidas´´´um número aceitável de vezes. 

Por ´´aceitável´´,quer dizer, estar entre as mais curtidas de todo o Facebook, 

ou de preferência a MAIS!

Metas inatingíveis levam essas pacientes a constantes mudanças em sua aparência. 

Tatuagens, cabelos de cores bastante chamativas, cortes mais radicais, roupas ,enfim,vale tudo para elevar a auto-estima, dando uma falsa sensação de que estão satisfeitas.


Sim!

 Essa sensação é rapidamente subustituída por um pensamento do tipo :´´ Ah, não sei se era isso mesmo que eu queria. ´´

Ou,

´´ será que as pessoas que gostam de mim tem valor suficiente? ´´

Ou pior. Desvalorizar quem as valoriza.

 Passar a achar quem gosta de você uma porcaria,ajuda ? Nada. Só faz aumentar a desvalorização. Porque se eu desvalorizo quem gosta de mim,então,tenho que ser muito melhor para atingir pessoas que estejam dentro do meu padrão de qualidade.

E que padrão é esse? Inatingivel? Real?

Provavelmente, as pacientes nao vao concordar muito comigo,mas na maioria absoluta das vezes,

é inatingivel e cria metas que levam a desistência,pois se torna tão difícil atingir,que é melhor não tentar mais.


Isso corrobora a questão do auto-boicote como um mecanismo muitas vezes vicioso e difícil de sair.

Acompanhe meu raciocínio:

1-Eu tento ser aceita e me esforço muito. 

2-Um número X de pessoas gostam de mim no Facebook. 

3-Eu fico feliz por um tempo Y.

 4-Em seguida,esse sentimento de
felicidade,perde seu valor rapidamente,e dá lugar a um vazio.


O vazio da busca pela próxima ´´conquista´´,vamos dizer. 

Mesmo que não seja uma conquista,mas uma busca por algo que não existe de forma material e que preencha o vazio deixado por um sentimento crônico de sentir-se menos no mundo.

E o sentir-se MENOS é de fundamental importância na terapia com uma paciente com TPB.

Este tipo de conteúdo vai aparecer praticamente em todas as sessões,até com pacientes que já estão numa situação bastante melhor e conseguem controlar suas emoções ( porém, NUNCA DEIXARÃO DE PENSAR DE FORMA BORDERLINE).

A grande questão é atingir o controle das emoções, independente dos estímulos aversivos.

Obviamente,não estou me referindo à situações mais graves,como luto, desemprego,separação,enfim,situações que levam qualquer pessoa que não possua transtorno algum a se alterarem bastante, sem dúvida.

Mas, me refiro à situações que são apenas causadas por uma desregulação emocional interna basal,como se refere a autora americana, Marsha Linehan,criadora da Terapia Dialética Comportamental,e uma pessoa que superou seu transtorno,além de se tornar referência nos Estados Unidos. 

Estas pequenas coisas, são alimentadas por um processo interno próprio de cada paciente,de acordo com o histórico de vida que cada uma delas teve.

Diagnóstico de Transtorno Borderline se faz com base em biografia, não em sintomas,diz o psiquiatra Erlei Sassi Jr, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, uma das maiores autoridades em TPB no Brasil,pois estuda o transtorno há 20 anos.

A cada frustração,mínima que seja, porque estas pacientes se estressam por pequenas coisas,que possivelmente passariam despercebidas pela maioria das pessoas. Entretanto,como têm muita sensibilidade, qualquer alteração em seus scripts internos, mentais,psiquícos,é motivo para iniciar uma crise. E a questão pode aumentar e se perder o controle das situações. Na verdade, a coisa mais difícil é aprender a ler uma paciente com TPB,depois que o terapeuta aprende a decifrar aquela paciente,o desafio vai se tornando um pouco menor.

Um pouco,mas sempre um enorme desafio para quem quer tratar pacientes com TPB.

E quando estas pacientes perdem o controle, o que acontece:

O nível de estress se torna muito alto,sendo sempre definido como enorme e insuportável dor,que só quem tem entende.

E não tendo alguem que possa compartilhar sua angústia tao grande, o gatilho está disparado para outros comportamentos.

 A saber: àlcool, sexo, drogas,enfim,qualquer coisa que as faça sentirem-se vivas e deixar para trás a insuportável sensação,ou até ´´certeza´´,de não pertencer a nada,não ser nada,e entrar no triste mecanismo de auto-comiseração,ou culpar outras pessoas porque não são como gostariam de ser,então alguém deve ser responsável por esse sentimento insuportável,e a partir daí, muitas coisas podem acontecer.'

 Agressividade contra outros,auto-mutilação,depressão,tentativas de suicídio.
Tudo isso por não conseguir preencher o buraco existencial que vai se renovando a cada dia.

Próximo texto, relação paciente/terapeuta,como tratar um paciente borderline durante as sessões de terapia,


Monica R. Garcia 13-11-2015