sábado, 14 de novembro de 2015

Criar um Kit Serenidade


Caixinha para acalmar na hora das crises.....


EEeE

Em periodos de desregulacao emocional ( quase todos os dias acontecem crises,que podem durar segundos,minutos,horas), ter uma caixa onde se guarda objetos, ou qualquer coisa que te acalme.

Juntar objetos e guardá-los em um único lugar fará com que você use melhor
as habilidades que desenvolver para lidar com a crise,em vez de simplesmente
ceder à ela e deixar que os antigos modos negativos de lidar com as situações
tomem conta de você.

Pacientes Borderline e auto-estima : A busca pelo ''buraco da rosquinha

 

 

Pacientes Borderline e auto-estima : A busca pelo ''buraco da rosquinha

''

 

Perfeccionismo é uma das características que fazem sofrer as pacientes que têm Transtorno Borderline.

 Altas expectativas,muitas vezes inatingíveis,pois elas querem ser melhores que 100%,podem se tornar um gatilho para depressão e crises de invalidação. 

Muito difícil lidar com esse nível de exigência,não importa que o mercado hoje em dia queira pessoas muito bem preparadas,quem sofre de TPB sempre quer ser 110% ou até mais.

Isto é um dos itens a serem trabalhados com sinceridade com um bom terapeuta,pois quem não entende o padrão de uma paciente borderline, se perderá no meio do caminho.

Validar que ter altíssimas expectativas é um traço da personalidade borderline e que o sofrimento é intenso. O terapeuta tem que ler a paciente, ou aprender a fazê-lo.

Nas redes sociais,para termos um exemplo bastante atual,é muito alto o número de queixas de pacientes que acham que não têm suas fotos ´´curtidas´´´um número aceitável de vezes. 

Por ´´aceitável´´,quer dizer, estar entre as mais curtidas de todo o Facebook, 

ou de preferência a MAIS!

Metas inatingíveis levam essas pacientes a constantes mudanças em sua aparência. 

Tatuagens, cabelos de cores bastante chamativas, cortes mais radicais, roupas ,enfim,vale tudo para elevar a auto-estima, dando uma falsa sensação de que estão satisfeitas.


Sim!

 Essa sensação é rapidamente subustituída por um pensamento do tipo :´´ Ah, não sei se era isso mesmo que eu queria. ´´

Ou,

´´ será que as pessoas que gostam de mim tem valor suficiente? ´´

Ou pior. Desvalorizar quem as valoriza.

 Passar a achar quem gosta de você uma porcaria,ajuda ? Nada. Só faz aumentar a desvalorização. Porque se eu desvalorizo quem gosta de mim,então,tenho que ser muito melhor para atingir pessoas que estejam dentro do meu padrão de qualidade.

E que padrão é esse? Inatingivel? Real?

Provavelmente, as pacientes nao vao concordar muito comigo,mas na maioria absoluta das vezes,

é inatingivel e cria metas que levam a desistência,pois se torna tão difícil atingir,que é melhor não tentar mais.


Isso corrobora a questão do auto-boicote como um mecanismo muitas vezes vicioso e difícil de sair.

Acompanhe meu raciocínio:

1-Eu tento ser aceita e me esforço muito. 

2-Um número X de pessoas gostam de mim no Facebook. 

3-Eu fico feliz por um tempo Y.

 4-Em seguida,esse sentimento de
felicidade,perde seu valor rapidamente,e dá lugar a um vazio.


O vazio da busca pela próxima ´´conquista´´,vamos dizer. 

Mesmo que não seja uma conquista,mas uma busca por algo que não existe de forma material e que preencha o vazio deixado por um sentimento crônico de sentir-se menos no mundo.

E o sentir-se MENOS é de fundamental importância na terapia com uma paciente com TPB.

Este tipo de conteúdo vai aparecer praticamente em todas as sessões,até com pacientes que já estão numa situação bastante melhor e conseguem controlar suas emoções ( porém, NUNCA DEIXARÃO DE PENSAR DE FORMA BORDERLINE).

A grande questão é atingir o controle das emoções, independente dos estímulos aversivos.

Obviamente,não estou me referindo à situações mais graves,como luto, desemprego,separação,enfim,situações que levam qualquer pessoa que não possua transtorno algum a se alterarem bastante, sem dúvida.

Mas, me refiro à situações que são apenas causadas por uma desregulação emocional interna basal,como se refere a autora americana, Marsha Linehan,criadora da Terapia Dialética Comportamental,e uma pessoa que superou seu transtorno,além de se tornar referência nos Estados Unidos. 

Estas pequenas coisas, são alimentadas por um processo interno próprio de cada paciente,de acordo com o histórico de vida que cada uma delas teve.

Diagnóstico de Transtorno Borderline se faz com base em biografia, não em sintomas,diz o psiquiatra Erlei Sassi Jr, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, uma das maiores autoridades em TPB no Brasil,pois estuda o transtorno há 20 anos.

A cada frustração,mínima que seja, porque estas pacientes se estressam por pequenas coisas,que possivelmente passariam despercebidas pela maioria das pessoas. Entretanto,como têm muita sensibilidade, qualquer alteração em seus scripts internos, mentais,psiquícos,é motivo para iniciar uma crise. E a questão pode aumentar e se perder o controle das situações. Na verdade, a coisa mais difícil é aprender a ler uma paciente com TPB,depois que o terapeuta aprende a decifrar aquela paciente,o desafio vai se tornando um pouco menor.

Um pouco,mas sempre um enorme desafio para quem quer tratar pacientes com TPB.

E quando estas pacientes perdem o controle, o que acontece:

O nível de estress se torna muito alto,sendo sempre definido como enorme e insuportável dor,que só quem tem entende.

E não tendo alguem que possa compartilhar sua angústia tao grande, o gatilho está disparado para outros comportamentos.

 A saber: àlcool, sexo, drogas,enfim,qualquer coisa que as faça sentirem-se vivas e deixar para trás a insuportável sensação,ou até ´´certeza´´,de não pertencer a nada,não ser nada,e entrar no triste mecanismo de auto-comiseração,ou culpar outras pessoas porque não são como gostariam de ser,então alguém deve ser responsável por esse sentimento insuportável,e a partir daí, muitas coisas podem acontecer.'

 Agressividade contra outros,auto-mutilação,depressão,tentativas de suicídio.
Tudo isso por não conseguir preencher o buraco existencial que vai se renovando a cada dia.

Próximo texto, relação paciente/terapeuta,como tratar um paciente borderline durante as sessões de terapia,


Monica R. Garcia 13-11-2015